Rotary Club de Chaves enquadra lançamento de biografia do Dr. Armando Morais Soares
Numa reunião festiva do Rotary Clube de Chaves, foi apresentada, no passado dia 15 de Maio, a segunda edição, revista e aumentada, da obra “Dr. Armando Morais Soares - O ultimo João Semana” da autoria da Dra. Maria Aline Ferreira. Além dos rotários, encontravam-se presentes familiares e amigos de Armando Soares, bem como o Sr. Presidente da Câmara Municipal de Valpaços, Eng.º Francisco Tavares, a quem coube a apresentação do livro.
A
reunião decorreu num clima muito agradável de partilha de sensibilidades.
Pois, a personalidade objecto da obra viveu uma vida dedicada aos valores do
serviço à comunidade, da humildade e amizade, em particular por pessoas
desfavorecida socialmente.
Começou por felicitar a autora, Maria Aline Ferreira, pela justa e oportuna homenagem que, com o livro, faz à memória de Armando Soares e pela feliz narrativa dos acontecimentos históricos que tiveram lugar na região e no Pais, contemporâneos de Armando Soares. Testemunhou, de forma directa e indirecta, alguns factos da história local e da vida pessoal e profissional de Armando Soares, descritos no livro, relacionados, especialmente, com o ramo da família proveniente de Fiães, com a actividade do médico em Lebução e sua referência na imprensa local, “Cartas de Lebução”, bem como as suas deslocações frequentes às aldeias, durante noites invernosas.
Foi com imenso gosto que a Câmara Municipal de Valpaços atribuiu em 1990, a medalha de mérito do Concelho, ao Dr. Armando Soares e o tem actualmente representado na sua Toponímia.

Os tempos relatados na vivência de Armando Soares dificilmente serão compreendidos pelos jovens de hoje. A ausência de estradas, telefone e outras estruturas básicas, não têm qualquer semelhança com a actualidade, apesar do isolamento e perda de população das aldeias do interior. Mas apesar de maior abundância e de maior presença do Estado na satisfação das necessidades básicas, continuamos a necessitar da acção de homens e mulheres como Armando Soares.
A parte central da obra descreve Armando Soares como estudante em Coimbra e, posteriormente, na sua missão de Serviço Público. Os versos inseridos no livro da sua formatura viriam a ser premonitórios, da vida que o futuro lhe reservara. Dos seus tempos de Coimbra é de realçar a referência aos seus amores. Um deles terá sido uma artista de cinema francesa, de nome Aline, que ali se deslocou na queima das fitas, nome que terá estado na origem do da autora do livro. Unem, pois, a autora e figura homenageada não só laços sentimentais, bem como um grande amor à sua terra e à sua gente.
Pela importância e centralidade que neste livro assume a Casa de Vilartão, residência onde nasceu e viveu Armando Soares, surge como um miradouro onde o leitor assiste ao desenrolar dos principais eventos do fim do século XIX e praticamente todo o século XX. Desta forma o leitor é transportado para a vivência do lugar e da sua envolvente. Pelos factos narrados e outros já conhecidos, esta casa foi local de refúgio para muitos que fugiam das autoridades, independentemente do poder instalado.
Concluiu referindo que o livro representa um contributo fundamental para que Armando Soares continue a viver na memória dos que o conheceram e, sobretudo, daqueles que não tiveram a oportunidade de contactar com personalidade tão humana e bondosa. Em pleno século XXI, com o estado providência em crise, os cidadãos encontrarão no exemplo de Armando Soares inspiração, para uma acção social mais responsável.
Seguidamente
falou a autora, que começou por agradecer ao Rotary club de Chaves, na
pessoa do seu presidente Dr. Jaime Abreu, a oportunidade que esta
prestigiada Instituição, lhe concedeu para apresentar a segunda edição do
livro e, consequentemente, homenagear a memória do Dr. Armando Soares.
Agradeceu, também ao Eng. Francisco Tavares, por ter apresentado o livro e
pelo apoio à edição do mesmo. A forma como o apresentou, revela quanto é
apreciador da obra do Dr. Armando, facto já espelhado na Nota Introdutória
que teve a amabilidade de escrever, para a presente edição.
Fez questão de realçar que aquele espaço constitui o melhor local para apresentação do livro, já que se encontram presentes e representadas ambas as Instituições que homenagearam o Dr. Armando Soares em vida, Rotary club de Chaves e Câmara Municipal de Valpaços.
Através de diapositivos, fez a ilustração das envolventes histórica e geográfica da família de Armando Soares, bem como as etapas mais marcantes da sua longa vida.
À entrada da primavera, morre Armando de Morais Soares. O último João Semana lendário, não apenas na literatura, mas também na vida real, deixa o mundo dos vivos aos noventa e seis anos de idade, quando se encontrava a residir em Mirandela, na companhia de familiares. Fez do exercício peregrino da medicina um sacerdócio. Mostrou-nos, através do seu exemplo de vida, que são as convicções nobres e generosas, que dão à vida a força e a beleza que a justificam.
Agradeceu, mais uma vez, a presença de todos e terminou citando dois grandes escritores. Jorge Luís Borges “todos temos por futuro o esquecimento” e Miguel Torga
“As pulsações de um coração generoso continuam a bater para além da morte, na lembrança daqueles a quem de algum modo deu calor”
Foi essa lembrança que, também, nos reuniu aqui, hoje.
A sessão terminou com a intervenção do presidente do Rotary club de Chaves, Dr. Jaime de Abreu que, dirigindo-se à autora do livro, referiu:
Foi para nós rotários, uma grande honra podermos enquadrar a apresentação da segunda edição do seu livro “Dr Armando Morais Soares – o último João Semana”. Trata-se da biografia de um grande homem.
O R.C.C. no dia 7 de Dezembro de 1997, homenageou o Dr. Armando, facto relatado neste livro, porque entendeu que o seu exemplo de vida e serviços à comunidade eram dignos de tal homenagem.
Muitas pessoas ficaram na história por terem feito grandes obras, pelos seus relevantes contributos para a evolução das ciências, das artes, do pensamento……
Outras pessoas ficarão sempre na memória colectiva por terem mostrado a humildade, a tolerância, o respeito e a bondade que existe na pessoa humana, funcionando como contraponto ao interesse mesquinho, egoísta e à ganância desmedida que também existe no ser humano.
Neste mundo em constante devir, onde a natureza humana parece não evoluir, estes contributos revestem-se de grande importância e actualidade. São exemplos de vida como o do Dr. Armando Morais Soares que merecem ser perpetuados em livro, para que as novas gerações aprendam com eles.
Por tudo isto sentimos, hoje a aqui, uma grande alegria em podermos estar associados ao lançamento deste livro, onde se encontram devidamente enquadrados os valores da tolerância, do serviço e da amizade que o Rotary defende, acima de tudo.
Numa entrevista recente, o escritor António Lobo Antunes dizia que são necessárias três coisas para escrever: Orgulho, paciência e solidão.
Dra. Aline: Contrastando com esse caminho árduo que é escrever, hoje, aqui, aconteceram momentos de comunicação, partilha e alegria.
Bem haja! Continue sempre a escrever.
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